Frescura Natural

 Na Herdade Aldeia de Cima, a altitude e as condições edafoclimáticas excecionais dão origem às temperaturas mínimas mais baixas da região — ideais para a frescura natural, complexidade e mineralidade nos vinhos. 

A herdade contém a cota mais alta da Serra do Mendro, com 424 metros, caracterizada por uma forte amplitude térmica que pode variar até 20° C num só dia, proporcionando dias longos e soalheiros e noites envoltas em nevoeiros trazidos pelos ventos frescos do Atlântico. A altitude e os ventos atlânticos geram amplitudes térmicas até 20°C e temperaturas mínimas entre as mais baixas da região, criando condições perfeitas para vinhos frescos e complexos, moldados pela mineralidade dos solos.

Produção biológica 11, castas indígenas e portuguesas

Com a intenção de manter a tipicidade da região do Alentejo que produz vinho há mais de 2000 anos, na Herdade Aldeia de Cima promovemos uma viticultura sã e sustentável. Todas as vinhas são certificadas em Modo de Produção Biológico, e enquadradas no Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo.

Ainda hoje a vindima é realizada manualmente, com a dedicação e o saber das  pessoas da aldeia durante o mês de Agosto.

Castas

Castas tintas da Herdade da Aldeia de Cima:

Alfrocheiro

Casta tinta de origem desconhecida, com maior expressão no Dão e boa adaptação ao Alentejo. Produz vinhos concentrados, mantendo frescura e perfil vegetal e floral. Na Vinha dos Alfaiates está implantada numa zona com equilibrada exposição solar.

 Alicante Bouschet

Casta de origem francesa, muito bem adaptada ao clima quente e seco do Alentejo. Permite vinhos de grande concentração, quer em monovarietal quer em lote. É a casta predominante da Vinha dos Alfaiates, nas zonas mais expostas e quentes.

 Aragonês

Casta tinta de origem espanhola, amplamente difundida no Douro e no Alentejo. Quando bem madura, origina vinhos estruturados, tânicos e longevos. Na herdade está implantada em microterroirs mais frescos da Vinha dos Alfaiates e da Vinha de Santana.

 Baga

Casta tinta de origem portuguesa, com maior expressão na Bairrada. Prefere climas mais frescos e exposições menos quentes. Na Vinha dos Alfaiates encontra-se em microterroirs mais frescos, com exposição a nascente.

 Tinta Grossa

Casta tinta de origem portuguesa, com maior implantação na sub-região da Vidigueira. Pouco expressiva em área, mas relevante na identidade regional. Plantada nos solos mais pobres da Vinha d’Aldeya, confere frescura aos vinhos.

 Trincadeira

Casta tinta portuguesa muito bem adaptada a regiões quentes, sendo o Alentejo a sua principal zona de expansão. Contribui com frescura e carácter herbal, especialmente em solos pobres. Está implantada nas zonas mais quentes da Vinha dos Alfaiates e da Vinha de Sant’ Anna.

Castas brancas da Herdade da Aldeia de Cima:

Alvarinho

Casta branca originária do noroeste da Península Ibérica, com maior expressão em Monção. Pouco produtiva, destaca-se pela acidez e perfil aromático. Na Herdade está implantada nos solos mais frescos das vinhas de Sant’ Ana e d’Aldeya.

 Antão Vaz

Casta branca de origem portuguesa, com maior expansão na Vidigueira. Muito bem adaptada ao clima quente e seco, é a principal casta branca da Herdade. Está presente na Vinha dos Alfaiates e nos solos mais frescos da Vinha da Aldeya.

 Arinto

Casta branca portuguesa, com origem em Bucelas e ampla difusão nacional. No Alentejo destaca-se pela acidez e mineralidade, conferindo frescura aos vinhos. Encontra-se implantada em solos mais frescos da Vinha de Sant’ Anna.

 Perrum

Casta branca de origem portuguesa, tradicional do Alentejo e autorizada na DOC Alentejo. Contribui com acidez natural e baixo grau alcoólico. É utilizada para reforçar a frescura dos vinhos em clima quente e seco. 

 Roupeiro

Casta branca portuguesa com grande expressão no Alentejo. Bem adaptada a climas quentes e produtiva, contribui para a complexidade dos vinhos. Está implantada em solos medianamente frescos da Vinha d’Aldeya.

5 Vinhas
36 Microterroirs

No perímetro de 4 quilómetros da herdade, encontramos 5 vinhas distintas com uma zonagem de 22 parcelas de dimensões variáveis — entre 0,30 a 2,90 hectares. As cinco vinhas distribuem-se por diferentes altitudes e zonas geológicas. Plantados em solos xistosos de baixa fertilidade, a diversidade dos 22 hectares oferece 36 microterroirs.

Destacam-se a Vinha dos Alfaiates — a primeira vinha plantada em patamares tradicionais de um bardo no Alentejo — de onde se contempla a imensidão desta terra, e a Vinha da Família, um campo experimental não irrigado, com castas autóctones, plantadas em quincôncio e cobertura de cortiça granulada.

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1. VINHA DA FAMÍLIA ● 1000 m²

Plantação: vinha em vaso

Microterroirs: 1

Altitude: 325 metros

Solos: argilosos, castanhos acinzentados, espessos, com matéria orgânica; fragmentos rochosos ; quartzo; argila; rochas verdes; anfibolitos

Castas: 9% de cada casta: Trincadeira, Alicante Bouschet, Antão Vaz, Aragonês, Castelão, Diagalves, Moreto, Perrum, Tinta Caiada, Tinta Miúda, Roupeiro

 

2.VINHA DA D´AlDEYA ● 4 ha

Plantação: vinha ao alto

Microterroirs: 6

Altitude: 325 a 345 metros

Solos: argilosos, castanhos amarelados, com fragmentos rochosos; quartzo; argila

Castas: 19% Tinta Grossa, 43% Alvarinho, 19% Antão Vaz, 7% Roupeiro, 12% Perrum

 

3. VINHA DE SANT´ANNA ● 4 ha

Plantação: vinha ao alto

Microterroirs: 7

Altitude: 280 a 300 metros

Solos: argilosos, castanhos acinzentados, espessos, com matéria orgânica; fragmentos rochosos; quartzo; argila; rochas verdes; anfibolitos

Castas: 33% Arinto, 30% Alvarinho, 13% Aragonês, 24% Trincadeira

 

4. VINHA DOS ALFAIATES ●12 ha

Plantação: patamares tradicionais de 1 bardo | declive de 30 a 40%

Microterroirs: 18

Altitude: 330 a 390 metros

Solos: vermelhos, castanhos e amarelos, silto-argilosos com fragmentos rochosos; quartzo; argila; micaxisto; xistos avermelhados; xistos amarelos.

Castas: 13% Trincadeira, 25% Alicante Bouschet, 18% Antão Vaz, 12% Aragonês, 8% Baga, 24% Alfrocheiro

 

5. COURELAS DA CEVADEIRA ●1.2 ha

Plantação: vinha tradicional não aramada | Cultura de Sequeiro.

Microterroirs: 2

Altitude: 237 metros

Solos: solo pardo, de materiais soltos de grão médio; baixo teor argiloso; pouco estruturado; quartzo; feldspato; anfibólitos

Castas: 85% Alfrocheiro, 15% Trincadeira

No planalto nasceu a Vinha D'Aldeya e a Vinha de Sant'Anna.

No planalto nasceram a Vinha d’Aldeya e a Vinha de Sant’ Anna. No planalto do Mendro, junto à adega da Herdade Aldeia de Cima, os solos são maioritariamente de xisto grauváquico com nuances de xistos verdes, formações únicas na Península Ibérica. Estão também presentes granitos, gabros e quartzitos, que influenciam a estrutura, o perfume e o corpo dos vinhos aqui produzidos.

As encostas voltadas a sul e sudoeste são particularmente propícias à produção de vinhos de carácter clássico — vinhos de sol, ricos, intensos e concentrados. Em contraste, as encostas voltadas a norte originam vinhos de maior intensidade mineral, frescura e fruta fresca, os chamados vinhos de sombra.

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Vinha D'Aldeya

Implantada num dos vales da Serra do Mendro, onde a exposição solar é mais moderada e a influência dos ventos mais marcada, a Vinha d’Aldeya beneficia de condições naturais que favorecem frescura e equilíbrio. Contígua à adega, acolhe as castas brancas de maior acidez da herdade — Alvarinho, Antão Vaz, Perrum e Roupeiro — a par da Tinta Grossa, numa clara intenção de recuperar um Alentejo fresco e de forte identidade. A escolha criteriosa do modelo de plantação, dos talhões e dos porta-enxertos, em solos argilosos e profundos, potencia vinhos minerais, elegantes e sustentáveis.

Vinha de Sant'anna

No sopé do planalto da Aldeia de Cima, em registo de planície e rodeada por jovens sobreiros, desenvolve-se a Vinha de Sant’ Anna, com quatro hectares plantados em vinha tradicional. A exposição solar equilibrada é moderada pela frescura dos solos e pela proximidade de pequenos ribeiros provenientes da Serra do Mendro, criando um ecossistema harmonioso. As castas tintas e brancas aqui plantadas permitem maturações mais longas e equilibradas, originando vinhos mais frescos, estruturados e de grande complexidade.

Campo Experimental
com cortiça
1000 m² em quinôncio

Em 2019, a Vinha da Família, parcela com 1000 m², foi plantada em solo argiloso, rico em xisto verde, quartzo e alguma matéria orgânica, a uma altitude de 325 metros.

 Esta vinha encontra-se sujeita a uma significativa amplitude térmica — 37º C durante o dia, e 15º C à noite — e a uma pluviosidade média anual de 395 litros/m².

Foram plantadas 11 castas autóctones  (4 brancas e 7 tintas), segundo o sistema ancestral de quincôncio, com espaçamento de 1,80 x 1,80 metros. Foi escolhido o porta-enxerto 1103P para a plantação de 242 bacelos, com enxertia em garfo no ano seguinte.

 Introduziu-se granulado de cortiça para melhorar a estrutura, drenagem e temperatura do solo, aumentando a resiliência e ciclo de vida da planta.

Com intervenção mínima, e maturação lenta  e progressiva, a vindima é tardia, dando origem a produções equilibradas e uvas concentradas, frescas e ricas em compostos fenólicos.

 

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Os Nanoterritórios das Courelas da Cevadeira

No sopé da Serra do Mendro, a vinha desperta com os primeiros raios de sol, num território onde a relação entre geologia, casta e clima se expressa de forma particularmente intensa.

Tudo reflete um carácter de resiliência e adaptação, dando origem a um verdadeiro nanoterritório de identidade própria.

Implantada em meia encosta, entre os 225 e os 237 metros de altitude, esta vinha de sequeiro, conduzida em modelo tradicional não aramado, desenvolve-se em solos de origem granítica, pobres, bem drenados e de baixa fertilidade, ricos em quartzo, feldspato e anfibólitos. A ligeira ondulação do terreno permite a existência de quatro microterroirs, onde pequenas variações de solo e vigor se traduzem em diferenças subtis de maturação e expressão. Plantada maioritariamente com Alfrocheiro e Trincadeira, complementadas por Tinta Grossa, beneficia de uma exposição a sul e de um arejamento natural que favorecem maturações equilibradas.

Daqui nascem vinhos tintos de perfil tradicional e ancestral — vinhos de sol, intensos e concentrados, mas sempre sustentados por frescura natural, elegância e uma forte ligação à serra

 

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