O Mendro de morfologia pouco suave e paisagem invulgar

As terras da Serra do Mendro de morfologia pouco suave e paisagem invulgar são detentoras de uma mancha única de xisto, num contexto de amplitudes térmicas que podem variar 20º C num só dia, partilhando semelhanças com outras regiões vinícolas bem distantes, como Rutherford ou To Kalon, em Napa Valley.

Com uma filosofia de profundo respeito pelos recursos naturais, preservamos os solos pouco produtivos e integramos as suas diferentes culturas de forma ecologicamente sã, atendendo aos nevoeiros e ventos que, vindos do Atlântico, chegam às encostas e ao interior dos vales com velocidades diferentes, originando uma grande variedade de microclimas e, consequentemente, de microterroirs.

As castas e a diversidades dos 32 microterroirs

Começamos pela cota mais alta na Serra do Mendro com a Vinha dos Alfaiates de onde se avista o vasto horizonte e onde podemos contemplar, maravilhados, a imensidão das terras alentejanas, os olivais e as vinhas, as hortas, os campos de searas e as pequenas vilas e aldeias de Vidigueira e de Beja. Depois passamos ao planalto da Aldeia de Cima, com cotas de 289 a 300 metros, onde se pretende explorar a diversidade de solos com 3 vinhas: Vinha da Família, Vinha de Sant'Anna, Vinha d´ Aldeya.

Na intenção de produzir a tipicidade regional selecionamos castas indígenas e perfeitamente adaptadas à região, com um encepamento de 65% de castas tintas e de 35% de castas brancas, apostando numa viticultura em modo de produção integrada que mais tarde será convertida em produção biológica. E é graças a esta multiplicidade de fatores naturais num contexto único de 32 microterroirs que foi traçado o perfil dos vinhos da Herdade Aldeia de Cima com o objetivo de saborear o Alentejo numa só garrafa.

Castas

Castas tintas da Herdade da Aldeia de Cima:

Alfrocheiro

Casta tinta de origem desconhecida, em Portugal a sua zona de maior expansão é no Dão, no entanto também está muito bem adaptada e difundida no Alentejo. O clima quente permite boas maturações com a consequente obtenção de vinhos com boas concentrações e mantendo um registo vegetal e floral muito bons, que lhe permitem melhorar os lotes de uma região quente. Bagos e cachos pequenos. Climas frescos e húmidos dificultam a sua maturação, mas também é sensível à desidratação em climas muito quentes e secos ou exposição direta ao sol. Um bom manuseamento desta casta é muito importante para a obtenção de bons resultados, devido à sua capacidade de proteger os cachos no interior da folhagem ficou inserida numa zona mais quente da vinha dos Alfaiates, mas ainda assim a mais arejada.

Alicante Bouschet

Casta de origem francesa, que em Portugal encontrou, no Alentejo, talvez, as condições ideais para originar grandes vinhos, quer enquanto monovarietal, quer como melhoradora de lotes. Muito bem-adaptada e resistente a clima quente e seco, é a casta predominante da Vinha dos Alfaiates e implantada nas zonas mais expostas e quentes.

Aragonês

Casta tinta com origem em Espanha, reconhecida em muitas regiões. Em Portugal, desde há longos anos, tem a sua maior área de expansão no Douro e no Alentejo. Boa produtividade, o que pode explicar em parte a sua expansão. É uma casta mais bem adaptada a zonas mais frescas, mas a introdução da rega nas vinhas veio melhorar muito a sua performance qualitativa em climas mais quentes. Quando bem madura, origina vinhos muito tânicos, bem estruturados e com grande longevidade. Na Vinha dos Alfaiates foram-lhe escolhidos microterroirs mais frescos. Na Vinha d’Aldeya aumentou-se a sua quantidade em terrenos mais frescos.

Baga

Casta tinta de origem portuguesa, com a sua área de maior expansão na Bairrada. Prefere climas mais frescos e como tal, na variabilidade de microterroirs da Vinha dos Alfaiates foram escolhidos os que se apresentam mais frescos, colocando-a com exposição nascente para protegê-la da insolação e para que não sofra demasiado as altas temperaturas da exposição poente no final de tarde.

Tinta Grossa

Casta tinta de origem portuguesa, sendo a sub-região da Vidigueira, no Alentejo a sua área de maior expansão. Casta com pouca expressão em termos de área cultivada. A sua plantação nos solos mais pobres da Vinha de Sant’ Ana, permite-nos retomar as origens da região. É uma casta muito vigorosa, mas que confere boa acidez e elegância aos vinhos.

Trincadeira

Casta tinta de origem portuguesa muito bem adpatada a regiões quentes, sendo o Alentejo a sua região de maior expansão. Confere uma ótima frescura e carácter herbal aos vinhos, adaptando-se muito bem a terrenos pobres que ajudam melhorar a sua concentração. Devido a estas características, esta casta inserese nas zonas mais quentes da Vinha dos Alfaiates. Pela sua importância nos vinhos também foi aumentada a sua área na zona de solo mais pobre na Vinha d’ Aldeya.

Castas tintas da Herdade da Aldeia de Cima:

Alvarinho

Casta branca com origem na zona noroeste da Península Ibérica, com a área de maior expansão na subregião de Monção. Casta pouco produtiva mas com ótimas características aromáticas e uma acidez muito boa que lhe permite ajudar a equilibrar os vinhos em zonas mais quentes como no Alentejo. Nas vinhas de Sant’ Ana e d’Aldeya foram escolhidos os solos mais frescos para a sua implantação.

Antão Vaz

Casta branca de origem portuguesa, com a área de maior expansão na sub-região Vidigueira. Muito bem adaptada a clima quente e seco, boa produtividade. Confere alguma frescura e complexidade aos vinhos desta região. É a casta branca com maior expressão e importância, e como tal assume a maior importância nos nossos encepamentos. Única casta branca plantada na Vinha dos Alfaiates em solo pobre, mas também em solos mais frescos na Vinha de Sant’ Ana.

Arinto

Casta branca de origem portuguesa, com zona de maior expansão em Bucelas, no entanto muito bem adaptado e utilizada por todo o país. No Alentejo confere uma ótima frescura aos vinhos pela sua acidez e mineralidade. Esta casta, naturalmente, também tem o seu espaço na Vinha D’Aldeya onde está implantada em zona de solos mais frescos.

Perrum

Casta branca de origem portuguesa, com a zona de maior expansão no Alentejo. Casta que faz parte dos encepamentos DOC Alentejo. No lote trará acidez natural e um baixo grau alcoólico que melhorará a frescura dos vinhos numa zona de clima quente e seca.

Roupeiro

Casta branca de origem portuguesa, com zona de maior expansão no Alentejo. Muito bem adaptada a clima quentes e produtiva, as suas características ajudarão a conferir maior complexidade ao vinhos. Está presente nos solos medianamente frescos da Vinha de Sant’ Ana.

A diversidade das 4 vinhas

Com uma biodiversidade singular, as terras altas da Serra do Mendro são detentoras de uma mancha única de xisto proveniente do Maciço Antigo Ibérico.

Uma equipa de geólogos estudou o património geológico da Herdade Aldeia de Cima com o objetivo de selecionar os melhores terroirs para a implantação de 20 ha de vinha na Serra do Mendro, que separa o Alto do Baixo Alentejo e atinge o seu ponto mais elevado na Herdade Aldeia de Cima a 424 metros de altitude.

Identificamos 4 zonagens em cotas mais elevadas da Serra e no Planalto do Mendro com o objetivo de obter uma frescura natural, num clima mediterrânico cada vez mais quente. Plantamos 20 ha de acordo com as curvas de nível do terreno e dividimos em 22 parcelas e na maioria com menos de 1,5 ha de vinha por parcela.

A vinha dos alfaiates,
18 microterroirs naturais
em patamares de 1 bardo na serra do Mendro

Começamos pela cota mais alta a 380 metros, explorando a altitude e a singularidade deste relevo acidentado, esta é a mais inusitada e inédita vinha da Herdade Aldeia de Cima.

A singularidade deste relevo acidentado, atravessado pela Ribeira dos Alfaiates, inspirou um modelo único e singular no Alentejo: uma vinha plantada em patamares tradicionais, a fazer lembrar os socalcos do Douro vinhateiro, que aqui oferece uma panorâmica estonteante sobre a imensidão da paisagem que faz fronteira entre o Alto e o Baixo Alentejo.

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As suas 12 parcelas de grande tipicidade, encontram-se em modo de produção integrada, caracterizadas por uma densidade média de 2800 plantas/ha e uma produção média potencial de 4000 kg/ha.

Implantada em manchas de geometria irregular, caracterizada por cumes mais ou menos arredondados, a vinha tem um declive de 30 a 40% de altitude em mais de metade das parcelas, com cotas de 300 a 380 metros, de oeste para este, com uma exposição à radiação solar ideal, aliada a uma amplitude térmica fora de vulgar, essencial para imprimir frescura ao vinho.

Os patamares de vinha tradicional, com uma zonagem de 18 microterroirs naturais, são compostos por litologias metamórficas dobradas e fraturadas, onde predominam os micaxistos dominantes num solo íngreme, esquelético de xisto vermelho, com uma forte presença de quartzo e com pouca profundidade de terra arável.

Considerando todos estes aspetos, pretende-se criar homogeneidade de desenvolvimento nas 12 parcelas de vinha, orientadas a nascente, sul e poente, sujeitas a ventos quentes e secos. No entanto, conta-se com o efeito de altitude, a influência marítima do Atlântico e a amplitude térmica que ronda os 20º C no mesmo dia - um dos fatores diferenciadores da região - para se conseguir uvas com maturações equilibradas e onde a importância do xisto vai contribuir para uma maior frescura e mineralidade.

Serra do Mendro

12 hectares em patamares tradicionais

18 microterroirs

Castas: 13% Trincadeira | 25% Alicante Bouschet | 18% Antão Vaz| 12% Aragonês | 8% Baga | 24%Alfrocheiro

Solo e rocha/mineral: Solos vermelhos, castanhos e amarelos, silto-argilosos com fragmentos rochosos | Quartzo | Argila | Micaxisto | Xistos avermelhados | Xistos amarelos

No planalto nasceu a Vinha da Aldeya e a Vinha de Sant'Anna.

No planalto do mendro junto à adega da Aldeia de Cima o solo é composto maioritariamente por xisto grauváquico com nuances de xistos verdes, únicos na Península Ibérica. Estão presentes também granitos, gabros e quartzitos que influenciarão a estrutura, o perfume e o corpo dos vinhos aqui originados.

As encostas voltadas a sul e sudoeste apresentam-se como locais excelentes para a produção de vinhos de caráter clássico, vinhos de sol, ricos, intensos, concentrados. As encostas voltadas a norte parecem revelar vinhos com uma maior intensidade mineral, frescura e fruta fresca, típicos vinhos de sombra.

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Vinha da aldeya

Planalto do Mendro | Santana

4 ha de vinha tradicional

7 microterroirs

Castas: 33% Arinto |30% Alvarinho | 13% Aragonês | 24% Trincadeira

Solo e Rocha/Mineral: Solos argilosos, castanhos acinzentados, espessos, com matéria orgânica / fragmentos rochosos | Quartzo | Argila | Rochas Verdes | Anfibolitos

É no sopé do planalto da Aldeia de Cima que nasce a Vinha d´ Aldeya, uma homenagem sentida à aldeia de Santana e às suas gentes.

Num registo de planície, envolvida pelos sobreiros jovens que marcam um legado, são erigidos 4ha num modelo de vinha tradicional com um compasso de 2,50m x 1m.

Bafejada por uma exposição solar equilibrada, as tardes quentes são contrariadas pela frescura dos solos, onde pequenos ribeiros vindos da Serra do Mendro, rodeiam a parcela, criando um ecossistema rico e harmonioso.

As castas plantadas, que já marcam presença na Vinha dos Alfaiates e na Vinha de Sant’ana, refletem a procura da complexidade e complementaridade que os diversos terroirs aportam nos vinhos da Herdade Aldeia de Cima, tornando o trabalho de enologia desafiante. Ao Aragonez e Trincadeira em R110, ser-lhes-ão permitidas maturações mais longas e perfis de vinhos mais frescos em relação às mesmas na Vinha dos Alfaiates. Quanto ao Arinto e Alvarinho em SO4, por sua vez, já plantados na vinha de Sant’ana, a exposição e o solo espesso e profundo, permitirá a obtenção vinhos de maior carácter e estrutura.

Vinha de Sant'anna

Planalto do Mendro | Santana

4 ha de vinha tradicional

10 microterroirs

Castas: 19% Tinta Grossa |43% Alvarinho | 19% Antão Vaz | 7% Roupeiro | 12% Perrum

Solo e rocha/mineral: Solos argilosos, castanhos amarelados, com fragmentos rochosos | Quartzo | Argila

É num dos vales da Serra do Mendro, onde a incidência dos ventos e a exposição solar é mais reduzida, que se desenhou a Vinha de Santa’Anna. É também aqui, numa geometria contígua à Adega da Herdade Aldeia de Cima que foram colocadas as castas brancas de maior frescura e acidez, dando-lhes o habitat perfeito para o seu desenvolvimento.

A par do Alvarinho, Arinto, Perrum e Roupeiro, com as quais se pretende recuperar um Alentejo fresco e algo perdido no tempo, plantou-se Tinta Grossa, procurando afincadamente as origens, reproduzindo a sua tipicidade.

Tendo em conta uma orografia pouco acentuada, encontrou-se no modelo de vinha tradicional e de compasso moderno, o modo perfeito para a instalação de talhões minuciosamente distribuídos, onde a correspondência entre casta, solo e exposição, foram os fatores preponderantes. As necessidades de cada casta, assim como o conceito de terroir, foram estudados no sentido de criar longevidade e sustentabilidade, pelo que a escolha dos porta-enxertos foi exigente. Nos seus solos argilosos, profundos e de maior frescura, o porta-enxerto R110, irá conferir uma maior capacidade de enraizamento e resistência, potenciando um crescimento vegetativo regular e equilibrado. Estão, assim, reunidas as condições ideais à criação de vinhos de cariz mineral, fresco e altamente identitários de uma região, que nos eleva a um patamar de elegância e sofisticação.

A Vinha de Família é uma reprodução da agricultura antiga, reunindo numa parcela de cerca de 0,1 hectares junto à adega

Plantadas em quadrado de 1 m de lado, instaladas numa forma de condução em vaso, as videiras não aramadas, com aspeto arcaico e rastejante, estão rodeadas pelo mesmo microclima, protegendo os cachos da forte insolação de Verão com o seu próprio sistema vegetativo. As parcelas policromáticas, com castas de diferentes aptidões, proporcionam um puzzle vegetal equilibrado e resiliente contra pragas e doenças, permitindo uma lavoura com tração animal, adubação mínima, à base de sementeira anual de leguminosas e corte de erva, poda e esladroamento.

Uma vinha humanizada, mediterrânica, exuberante e com mais carácter, pretende preservar o património alentejano, mais próxima da vida espontânea, com espécies que sociabilizam entre si, tal como uma família.

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Planalto do Mendro | Santana

1000 m2 em vaso

1 microterroir

Castas: 9% de cada casta: Trincadeira, Alicante Bouschet, Antão Vaz, Aragonês, Castelão, Diagalves, Moreto, Perrum, Tinta Caiada, Tinta Miúda, Roupeiro

Solo e rocha/mineral: Solos argilosos, castanhos acinzentados, espessos, com matéria orgânica / fragmentos rochosos | Quartzo | Argila | Rochas Verdes | Anfibolitos

A Vinha de Família é uma reprodução da agricultura antiga, reunindo numa parcela de cerca de 0,1 hectares junto à adega, com 11 variedades regionais.

Plantadas em quadrado de um metro de lado, instaladas numa forma de condução em vaso, as videiras não aramadas, com aspeto arcaico e rastejante, estão rodeadas pelo mesmo microclima, protegendo os cachos da forte insolação de verão com o seu próprio sistema vegetativo. As parcelas policromáticas, com castas de diferentes aptidões, proporcionam um puzzle vegetal equilibrado e resiliente contra pragas e doenças, permitindo uma lavoura com tração animal, adubação mínima, à base de sementeira anual de leguminosas, e corte de erva, poda e esladroamento.

Uma vinha humanizada, mediterrânica, exuberante e com mais carácter, que pretende preservar o património alentejano mais próximo da vida espontânea, com espécies que sociabilizam entre si, tal como uma família.

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