O medronheiro (Arbutus unedo) é um arbusto de grande porte, nativo da Europa mediterrânica, capaz de viver até 200 anos. Em Portugal, é no montado que encontra as condições ideais para o seu desenvolvimento, beneficiando da frescura da Serra do Mendro, da altitude, da influência dos ventos atlânticos e dos solos esqueléticos de xisto, fatores que favorecem o seu crescimento espontâneo.
Os medronheiros povoam a Serra do Mendro desde tempos ancestrais. Na terra fresca de altitude encontram o equilibrio perfeito ao lado de outras comunidades arbustivas no montado. Os pequenos frutos amarelos alaranjados e vermelhos, suspensos por finas hastes a balancearem ao sabor dos ventos frescos que ao final de cada tarde chegam do atlântico, ornamentam a terra no Natal numa rusticidade quase poética. Os arbustos de proporção generosa mostram a sua resiliência a cada ano. Oferecem a riqueza de um fruto único, pleno de aromas e sabores macerados na destilaria que serão recuperados na dupla destilação a vapor, originando uma aguardente de medronho fina e elegante, de cor límpida, transparente, quase cristalina, saboreada com vagar e em vários goles, na companhia de uma boa conversa.
No alto da Serra do Mendro, durante a época outono-invernal, quando se sente o cheiro a terra de xisto molhada, a floração e a frutificação do medronheiro selvagem ocorrem em simultâneo — altura propícia para a colheita dos frutos de cores vibrantes: amarelo, amarelo alaranjado e vermelho.
Além dos medronheiros que crescem em várias zonas da Herdade Aldeia de Cima, em 2020 plantámos uma parcela de 5 hectares de medronhal regado, entre a Vinha dos Alfaiates e a floresta.
Em 2024, efetuámos a seleção clonal das nossas melhores plantas para a plantação de 20 hectares de medronhal no Bugano, distribuídos por 4 parcelas, com um compasso de 5 por 2,5 metros, com recurso a irrigação e à plantação de 1 sobreiro por cada 3 medronheiros, considerando diferentes perfis de solo e exposições solares.
Devido à delicadeza do medronho, a gestão do tempo entre a colheita e a fermentação, até à destilação, é crucial para manter a frescura e encontrar o equilíbrio perfeito entre a elegância e a identidade da aguardente de medronho.
A fermentação processa-se com temperatura controlada durante 3 semanas. Depois da massa fermentada, o mestre destilador coloca-a na caldeira para destilação a vapor, num ciclo descontínuo que separa a aguardente em cabeça, coração e cauda. Por fim, submete-se a aguardente do coração a uma segunda destilação, com o objetivo de minimizar a presença de compostos agressivos, tornando a aguardente mais transparente, harmoniosa e saborosa.
Um bom destilado deve ser equilibrado, harmonioso e agradável ao nariz e ao palato. A aguardente de medronho faz parte da tradição secular do sul de Portugal e deve ser servida pura e à temperatura ambiente para apreciar a sua frescura aromática.
A cor é límpida, transparente, quase cristalina. O aroma é muito fino e levemente frutado. Na boca demonstra pureza e nitidez, com um toque seco, bom equilíbrio do álcool macio e um aroma retro nasal floral e frutado.
Por norma servem-se 3 cl e deve ser saboreada com vagar, na companhia de uma boa conversa.